Ivo Hoogveld
Portugal
Perdeu o juízo há muito tempo, algures entre a Holanda e Portugal. Não se recorda muito bem do que aconteceu. Tem a esperança de que alguém o possa ter encontrado e guardado dentro de uma caixa de música. Espera, por isso, recebê-lo de volta como prenda de anos. Hoje sonha acordado com índios, lápis de cor, supernovas e corações bons. Guarda ainda na barriga tardes de desenho, três elefantes a quem tem de dar de comer e uma vida de circo. Anda muitas vezes sonâmbulo e passa horas, sem medo, a vasculhar a memória, a contemplar e a tentar descobrir coisas escondidas no éter. Aparecem melodias que regista pelo caminho, labirintos de coisas estranhas e coloridas. Muitas linhas feitas de luz e padrões que contam histórias, que ligam pessoas e momentos. É estranho, mas lá tudo pega fogo rapidamente. Alguns dos seus desenhos podem ser vistos e revistos, alguns esquecidos e outros guardados religiosamente.

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